sábado, 28 de setembro de 2013

Da tipografia e outros demônios - Parte 1 de 3

Se você não sabe o que é tipografia, procure no Google, leia a definição e volte aqui para ler o resto desta postagem. Leu? Então, hoje eu vou falar de fontes, seus amores e seus pecados. Mas para o seu (e o meu) próprio bem, vou fazer de tudo para que esta conversa não seja (muito) dolorosa.

Lembre-se que isto aqui não é um tutorial e nem uma aula, mas uma conversa, e quero compartilhar meus dois centavos neste assunto que SIM, é relevante e SIM, é subestimado.

Muito bem, dia desses eu estava lembrando de quando era estagiária, alguns trocentos anos atrás, e em certo dia eu e a Diretora de Arte estávamos no escritório comentando das letras usadas em convites. Entre vários nomes de fontes tipográficas, a discussão ficava em qual era mais estilosa, legível, comum ou exótica. Mas isso não é o ponto. O que me doeu, o que foi nos meus sentimentos, mesmo naquele tempo, foi a (cof cof) então proclamada Webdesigner do escritório. Sabe o que ela disse? Isso merece até um quote:
" Olha, gente, isso que vocês estão falando aí pra mim é grego! Eu não estou entendendo NADINHA! "
Eu fiquei bege. Não, sério, eu devo ter passado por todas as cores do arco-íris de tanta indignação. Eu na época (se não me engano) estava fazendo o curso de Auxiliar de Design Gráfico, mas desde antes disso estava bastante interessada em fontes e suas aplicações, e pensei que eu ia preferir mudar de profissão a admitir que ignorava um aspecto tão importante dela.

A tipografia é relevante para todas as áreas gráficas, como a publicidade, jornalismo, design gráfico, web design, ilustração, diagramação, etc. É uma lista bem mais longa do que parece, e não é questão de ser expert, mas de saber com o quê está lidando. Sabe aquilo que eu sempre digo? Conheça seu material. A fonte errada pode arruinar a identidade visual de uma peça, acabar com a credibilidade do cartaz de um filme, enfeiar os balões da sua HQ, ou simplesmente não vender seu peixe adequadamente.

Existe muita lenga-lenga teórica e eu poderia me estender o dia todo falando sobre isso, mas resumindo, a fonte ideal tem de se integrar com o conteúdo onde ela é utilizada. Aí vem a pergunta: existe uma fonte perfeita? Não. Por mais completa que ela seja, não será aplicável a “todos” os contextos.

Por exemplo, a fonte Times New Roman, você passa a vista nela e já pensa em jornal tradicional impresso. Ela foi feita para isso, de longe é a fonte mais utilizada no mundo, e que (quem sabe?) podemos chamar de perfeita, porque (independente de eu gostar dela ou não...) a Times é eterna. Daqui um século a pessoa vai abrir uma publicação, livro, cartaz, trabalho acadêmico, e dar de cara com ela, praticamente intocada. E ela continuará legível, confortável, elegante e atemporal. MAS (tem de ser um “mas” dos grandes...) ela não será perfeita para todos os usos, justamente por ser clássica, ser serifada e ter contorno irregular - por isso tudo ela é atemporal, e pelos mesmos motivos não pode ser usada sem critério.

A Times New Roman você com certeza conhece, mas saiba que ela é oficialmente a antepassada destas variações (algumas bem interessantes), onde a estrutura é a mesma, porém o estilo muda completamente:


Agora a conversa fica mais elaborada...

Continua no próximo post!